Quando construir por dentro vira mais barato que comprar de fora
Pesquisa da McKinsey mostra que quase um terço das empresas desistiu de comprar software porque conseguiu construir a mesma coisa com agentes de codificação de IA.
Isso não me surpreende nem um pouco, e acho que é exatamente por isso que vale parar pra pensar. A McKinsey fez um levantamento e descobriu que quase um terço das organizações pesquisadas decidiu não comprar pelo menos um produto ou funcionalidade de software porque conseguiu construir a mesma coisa internamente usando agentes de codificação com IA.
Isso é decisão de orçamento corporativo mudando de lado por causa de uma ferramenta que, há três anos, mal existia como categoria.
Eu já vivo o lado “construir” dessa equação
No meu trabalho atual sou o único desenvolvedor responsável por projetos completos numa rede com mais de 90 lojas, e um dos exemplos que mais gosto de citar é o serviço de programa de fidelidade que construí em Odoo, com recursos expostos pra outras plataformas consumirem. Não foi porque faltou opção de mercado. Foi porque construir por dentro, com controle total sobre a arquitetura e sem depender de contrato de terceiro, fez mais sentido pro contexto específico da empresa. O mesmo raciocínio vale pro módulo independente de logs GCP que fiz, plugável em outros módulos: resolvia uma dor real sem exigir uma ferramenta de observabilidade paga inteira só pra isso.
O que os agentes de codificação mudam nessa conta não é a decisão em si: “construir por dentro pode valer a pena” já era verdade antes. O que muda é o tempo e o custo de mão de obra pra chegar lá. Uma funcionalidade que antes exigia semanas de um time dedicado agora pode ser um projeto de dias pra um desenvolvedor com o agente certo do lado. Isso empurra a régua de “vale a pena construir” pra um território bem maior do que era antes, e é exatamente esse deslocamento que aparece nos números da pesquisa.
Do ponto de vista de quem vende software, isso é desconfortável. Do ponto de vista de quem, como eu, é o único dev responsável por decidir entre integrar uma solução pronta ou escrever a própria, é uma opção a mais na mesa, e uma que pesa cada vez mais fácil pro lado de “eu resolvo isso em uma sprint”.
Fico curioso pra saber quantos desses 30% eram decisões de “não vale mais a pena pagar assinatura” contra quantas eram “descobrimos que o fornecedor não fazia exatamente o que a gente precisava, e agora dava pra fazer sob medida”. Acho que essa segunda categoria é a que realmente vai crescer.